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Poço da Sorte
Situado no topo do que pode ser um dos contos de fadas favoritos, está à imagem de um brilhante, poço fluindo. Já 30 páginas adentro do livro, ficou claro que Rowling gosta (e é boa nisso) de desenhar estrelas e faíscas. O começo e o fim de quase todos os contos aparecem salpicados com pó de fadas (a lá Peter Pan — fãs sabem que as fadas de Rowling são menos prováveis de deixar um rastro bonito). Essa primeira página do conto também contém uma pequena rosa florindo abaixo do texto. Bem encantadora, e como qualquer um que já tentou desenhar uma rosa sabe, não é fácil de fazer - um fato que faz menos provável que Rowling a tenha feito para cobrir um erro. É um magnífico jeito de começar, e ele dá ao “O Poço da Sorte” muito para cumprir. Talvez seja por isso que a história começa tão grandemente e com uma colocação de conto de fadas tão perfeitamente vistosa e misteriosa: um jardim encantado e cercado que é protegido por “magia poderosa”. Uma vez por ano, um “azarado” tem a oportunidade de achar o caminho para o Poço, para se banhar na água, e ganhar “sorte para sempre”. É o sonho de consumo dos fãs de Harry Potter.
Sabendo que essa talvez seja a única chance de verdadeiramente mudar suas vidas, pessoas (com ou sem poderes mágicos) viajam das mais distantes terras do reino para tentar ganhar uma entrada para o jardim. É aqui que três bruxas se encontram e compartilham de suas aflições. A primeira é Asha, doente “de uma enfermidade que nenhum Curandeiro pode curar”, que espera que o Poço possa regenerar sua vitalidade. A segunda é Altheda, que foi roubada e humilhada por um mago. Ela espera que o Poço alivie as suas sensações de desamparo e sua pobreza. A terceira bruxa, Amata, foi deixada por seu amado, e espera que o Poço ajude a curar a sua “dor e desejo”. Em apenas algumas páginas, Rowling não apenas criou um terrível drama de conto de fadas, mas um contraste interessante — jovens e velhos leitores podem relacionar-se a pelo menos uma das aflições de Asha, Altheda, e Amata (e podemos falar do quão incríveis esses nomes são) As bruxas (muito parecidas com as personagens da série favorita) decidem que três cabeças são melhores do que uma, e elas juntam os seus esforços para alcançarem o Poço em conjunto. A primeira pista, uma fenda na parede, aparece, mas “rastejadores” as alcançam e se põem em volta de Asha, a primeira bruxa. Ela agarra Althaeda, que pega Amata. Porém Amata fica presa na armadura de um cavaleiro, e como as videiras puxam Asha para dentro, as três bruxas, junto com o cavaleiro, são puxadas pela parede e para dentro do jardim.
A partir de que só uma delas poderá se banhar no Poço, as duas primeiras bruxas estão bravas que Amata inadvertidamente convidou outro competidor. Porque ele não tem poderes mágicos, reconhece as mulheres como bruxas, e é bem ajustado ao seu nome, “Senhor Sem Sorte”, o cavaleiro anuncia a sua intenção de abandonar a competição. Amata prontamente briga com ele por desistir e pede para juntar-se ao seu grupo. É tocante ver como Rowling continua abraçando os temas de amizade e camaradagem tão prevalecentes em sua obra, sem mencionar sua habilidade em criar personagens femininas, fortes e inteligentes. Por sete livros se vê Harry, que não via problemas em necessitar da ajuda e do suporte dos amigos, e a mesma noção de compartilhar a responsabilidade e a carga é forte neste conto.
Em sua jornada para o Poço, o grupo variado enfrenta três desafios. É um território de contos familiares, mas é a forte e simples imagem (”um verme branco monstruoso, inchado e cego”), e o modo que os personagens colaboram para triunfar sobre a adversidade, que faz esta história uma leitura rica, e puramente Rowling. Primeiro, eles enfrentam o verme que exige “a prova da sua dor”. Após várias tentativas fracassadas de atacá-lo com mágica e outras coisas mais, as lágrimas de frustração de Asha saciam o verme, que os deixam passar. Depois, eles enfrentam uma encosta sinuosa e são pedidos para pagar “o fruto dos seus trabalhos”. Eles tentam e tentam fazê-lo morro acima, mas passam horas escalando em vão. Finalmente, o esforço conquistado por Altheda quando ela torce por seus amigos (especificamente o suor da sua testa) passa-os para além do desafio. Finalmente, eles enfrentam uma correnteza em seu caminho e são pedidos para pagar “o tesouro do seu passado”. As tentativas de flutuar ou pular sobre o rio falham, até que Amata pensa em usar a sua varinha para retirar as memórias do amante que a abandonou, e jogá-las na água. Aparecem pedras na água, para qu elas passassem, e os quatro podem atravessar para o Poço, onde eles devem decidir quem toma o banho.
Asha tem um colapso de exaustão e está próxima da morte. Ela tem tanta dor que não consegue ir até o Poço, e ela implora as seus três amigos para não moverem-na. Althaeda rapidamente mistura uma poção para tentar revivê-la, e a mistura de fato cura a sua enfermidade, portanto ela não mais precisa das águas do Poço (é possível perceber onde isto está indo, mas Rowling tem mais surpresas guardadas). Curando Asha, Althaeda percebe que ela tem o poder de curar os outros e um modo de ganhar dinheiro. Ela não mais precisa das águas do Poço para curar sua “impotência e pobreza”. A terceira bruxa, Amata, percebe que uma vez que ela tirou o seu desgosto pelo seu amante, ela foi capaz de vê-lo pelo o que ele realmente foi (”cruel e infiel”), e ela não precisa mais do Poço. Ela se vira para o Sr. Sem Sorte e oferece a ele sua vez no Poço como uma recompensa por sua valentia. O cavaleiro, assombrado com sua sorte, banha-se no Poço e se arremessa “na sua armadura enferrujada” (isso é genialidade de Rowling - a adição de uma palavra dá a hilária imagem do cavaleiro banhando-se com a armadura completa no Poço) aos pés de Amata e implora por sua “mão e seu coração”. Cada bruxa realiza os seus sonhos de uma cura, um malfadado cavaleiro ganha conhecimento de sua coragem, e Amata, a bruxa que teve fé nele, percebe que ela encontrou “um homem digno dela”. Um grande “feliz para sempre” para os quatro alegres viajantes, que partem de “braços dados” (é particularmente legal como é escrito a mão, com os hífens parecendo braços dados). Mas a história não seria da Rowling se não houvesse um chute no fim: aprende-se que os quatro amigos vivem muito tempo, nunca percebendo que as águas do Poço “não continham nenhum encantamento”. O melhor fim existente.
Como em seus romances, Rowling dá ênfase que o poder verdadeiro está dentro, não meramente em uma varinha ou em uma mente, mas no coração. Fé, confiança e amor dão aos seus personagens a força para encontrar os desafios perante eles. Ela não pronuncia aos seus leitores, mas a mensagem está definitivamente ali: se você se permite amar e confiar nos outros, você pode aumentar o poder que já tem. Que linda mensagem para as crianças (e adultos) aprenderem, um pacote encantador e memorável.
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